Legalizar as drogas é ameaça à juventude

O Globo
A legalização de drogas no Brasil se constituiria em uma séria ameaça à segurança nacional e uma perigosa desproteção à juventude brasileira.
Sociedades não podem ser extremamente permissivas, quanto mais quando o assunto é drogas. O exemplo, por ventura positivo, sobre tolerância ao uso de drogas em outros países não nos serve. É bom também lembrar que uma lei neste sentido, tal e qual a Lei Seca, que não separa quem sempre bebeu e nunca bateu, uma lei antidrogas, deve ter por escopo não beneficiar os que, por exemplo, fumam ‘baseado’ e levam uma vida normal. Uma lei, neste caso, não pode beneficiar somente a “corrente progressista”, mas sobretudo zelar pelo bem comum, protegendo a juventude como um todo.

A legalização da maconha no país induziria também ao tráfico de outras drogas. A recente rejeição dos conservadores da Califórnia ao plantio, cultivo, venda e consumo dessa erva foi medida de bom senso. O Brasil, tendo ao lado os dois maiores produtores de cocaína do mundo, a Colômbia e o Peru, também se transformaria em um produtor dessa droga. É preciso inclusive fiscalizar, na Amazônia, os produtos químicos destinados ao refino de cocaína, já que laboratórios clandestinos já foram detectados em território nacional.
Imaginem anunciar ao mundo, um país com dimensões continentais como o nosso, que o consumo da cannabis foi legalizado aqui… A exemplo da Holanda, onde o fluxo de turistas que visitam o país com o intuito de consumir drogas – e que acabam trazendo, clandestinamente, drogas para seus países de origem -é muito expressivo, por mais que se tivesse fiscalização, o mercado negro sempre existiria. O México, onde o narcotráfico mata hoje jornalistas em praça pública, não nos serve de exemplo. O Brasil, com suas vulneráveis fronteiras, se transformaria – não tenho nenhuma dúvida – no “paraíso mundial das drogas”.
Por sua vez é ledo engano imaginar que o tráfico no Rio de Janeiro deporia seus arsenais de armas com a legalização das drogas. O tráfico de drogas não é mais hoje a maior renda do narcoterrorismo. Traficantes, com a forte repressão do atual governo do estado, transferiram o comércio de drogas para o asfalto, por meio de traficantes de classe média e alta, e estenderam seus ” negócios”´para o controle de bens e serviços em comunidades por eles dominadas. Além disso, esses bandidos migraram para outras modalidades de crimes, como arrastões em vias de trânsito, com uso do emprego do ‘elemento surpresa’. Com isso, a eficiência da polícia do Rio hoje está sendo colocada em xeque, ante um delito de difícil prevenção e repressão.
É equívoco também imaginar que a relação custo- benefício da repressão às drogas nos faria pensar em abandonar o lado policial da questão para somente tratá-la como caso de saúde pública, O maior exemplo de quando a repressão às drogas se torna uma política de estado é o da Colômbia, onde o governo Uribe logrou importantes vitórias contra o tráfico – o novo presidente está no mesmo diapasão. Por causa disso, o preço da cocaína, tendo em vista a maior escassez do produto, subiu consideravelmente no mercado mundial consumidor, principalmente nos EUA.
Drogas não agregam valores sociais positivos. Se conseguirmos afastar as drogas de uma minoria de nossos jovens pela repressão e pela prevenção, já terá valido a pena. A busca de estados alterados de consciência cria “trapos humanos”, sem rumo e sem motivação para a vida saudável. A recente morte do tricampeão mundial de surf, Andy Irons, de 32 anos, que se encontrava em processo de recuperação da dependência de drogas, mostra que nem os grandes atletas estão livres do infortúnio das drogas. Cuidemos de nossos filhos antes que as drogas os destruam. Há uma real, perigosa e constante ameaça pairando sobre todos nós. Nesse caso, o preço da liberdade é a eterna vigilância.
* Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM

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