ALCOOLISMO E DEPRESSÃO

Alcoolismo e depressão

*Por Adriana Moraes 

O uso abusivo de álcool é um grave problema de saúde pública. A depressão é comum entre os indivíduos que bebem e pode ter fator decisivo na busca de tratamento. Os problemas relacionados ao uso de álcool e depressão são as duas doenças psiquiátricas, isoladamente, mais comuns encontradas na população, também estão entre as doenças que mais custam aos cofres públicos.

Pela grande capacidade de o álcool produzir sintomatologia semelhante a da depressão e também de mascará-la, o diagnóstico desta deve ser feito com cautela e de preferência após um período de abstinência.  Em geral, a depressão antecede o surgimento da dependência do álcool, principalmente em mulheres, porém, na maioria das vezes, é difícil determinar o transtorno primário e o secundário, visto que há interferência entre os transtornos depois de instalada a comorbidade. [1]

9% dos idosos do país consomem álcool diariamente

O Jornal Folha de S. Paulo em 21/01/2018 na matéria “9% dos idosos do país consomem álcool diariamente” informou dados da Pesquisa Datafolha inédita mostrando que quase um em cada dez homens idosos brasileiros (9%) bebe todos os dias, cinco vezes a média do país (2%) e o dobro do percentual de beberrões (4%). Entre as idosas, 81% não bebem, contra 57% dos idosos, o que confirma a tendência na população em geral de as mulheres serem menos expostas ao álcool que os homens (63% delas não bebem, contra 6% dos homens). Para a psiquiatra Dra. Ana Cecília Marques, o idoso alcoólatra é um “paciente invisível”, que muitas vezes desenvolve a dependência após a aposentadoria, divórcio ou a viuvez. O uso do álcool também pode desencadear ou potencializar distúrbios psiquiátricos, como a depressão, muito associada aos suicídios entre os idosos. [2]

O álcool sendo um depressor do sistema nervoso central aumenta os riscos do dependente químico ter depressão?

dr hammer

Definir se uma pessoa está infeliz ou se está com depressão pode ser muito difícil quando ela está bebendo. Importante relembrar um trecho do texto do psiquiatra Dr. Hamer Palhares no site da UNIAD no qual o médico respondeu a seguinte pergunta: “O álcool sendo um depressor do sistema nervoso central aumenta os riscos do dependente químico ter depressão”?

Dr. Hamer explicou que o álcool é considerado uma droga “suja”, sob o ponto de vista de que age em diversos sistemas neurotransmissores no cérebro, tais como o sistema noradrenérgico, serotoninérgico, gabaérgico, glutamatérgico, opióide, etc. Quando dizemos que o álcool é depressor do sistema nervoso central estamos afirmando que ele tem uma ação sedativa intrínseca, a qual se exerce por sua ação principal no sistema GABA (ácido gama amino butírico, o qual é a principal molécula com efeito inibitório no sistema nervoso central). Contudo, é bom lembrar que os efeitos do álcool variam conforme a frequência, intensidade de consumo e quantidade ingerida. No uso continuado, ocorre uma alteração nítida de humor, cursando geralmente com maior irritabilidade e sintomas depressivos. Um estudo evidenciou que pacientes que paravam de beber, após uma semana, apresentavam sintomas depressivos suficientes para preencher o diagnóstico de depressão em 42% dos casos. Contudo, mesmo sem serem medicados ou receberem psicoterapia, após mais três semanas, ou seja, com um mês de abstinência, apenas 6% dos casos permaneciam depressivos. Isto sugere que a maior parte dos sintomas depressivos e dos pacientes que apresentam-se deprimidos e que abusam de álcool podem melhorar com a simples abstinência e que não abordar o consumo de substâncias seria perder uma ótima oportunidade de intervir de forma efetiva, simples e sem a necessidade de medicamentos. [3]

*Adriana Moraes – Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) – Especialista em Dependência Química – Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).

Referências:

[1] Dependência Química: prevenção, tratamento e políticas públicas / Alessandra Diehl – Daniel Cruz Cordeiro – Ronaldo Laranjeira – Porto Alegre: Artmed, 2011.
[2] http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2018/01/1951983-9-dos-idosos-do-pais-consomem-alcool-diariamente-diz-datafolha.shtml
[3] http://www.uniad.org.br/interatividade/noticias/item/25171-confira-a-entrevista-exclusiva-com-o-psiquiatra-dr-hamer-palhares-sobre-depress%C3%A3o-e-depend%C3%AAncia-qu%C3%ADmica

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POLÍTICAS ERRADAS LEVARAM PAÍS À EPIDEMIA DE DROGAS

Políticas erradas levaram país à epidemia de drogas

Secretário Nacional analisa votação que endureceu orientação sobre narcóticos no Brasil

Brasília, 9/3/18 – No último dia 1º de março, por 16 dos 22 votos dos conselheiros presentes, o Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad) aprovou a resolução nº 1/2018, alterando o entendimento que até então norteava as ações do governo federal. A partir dessa aprovação, o Estado passa a adotar a linha que prega a abstinência como fim. Ou seja, cabe ao Governo desestimular e enfrentar o uso de drogas pela população; oferecer tratamento terapêutico para os dependentes, de forma a incentivá-los a largar o consumo; e reprimir a venda energicamente.

O secretário Nacional de Políticas sobre Drogas, Humberto Viana, concedeu a seguinte entrevista para esclarecer as mudanças e fazer um balanço das posições do governo quanto às várias questões que permeiam o tema.

O Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas aprovou a resolução n° 1/2018, que orienta o governo a levar em conta também a linha que prega a abstinência na elaboração das políticas públicas. Concretamente, o que vai acontecer daqui para frente?

Secretário Humberto Viana – Concretamente, deixamos de focar no que tivemos nos últimos 15 anos, que era basicamente políticas de redução de danos. Hoje, apontamos para a linha da abstinência e isso muda completamente o foco. Tanto para quem defende a abstinência, quanto para quem defende a redução de danos, há subdivisões. Então, unanimidade não teremos. Agora, certamente, nos últimos quinze anos a política não trouxe os resultados esperados, que eram a redução do consumo e impedir o tráfico. Hoje, vamos partir para uma linha que é mais efetiva contra o uso de drogas, pois as ações serão medidas e avaliadas.

Em resumo, a gente pode dizer que o governo brasileiro adota a linha da abstinência em detrimento da redução de danos?

Secretário Humberto Viana – Não, não é isso. Passamos a adotar a abstinência como meta da política, mas não abandonamos ações de redução de danos. Reconhecemos os avanços, porém os problemas persistem. A perspectiva da abstinência parte do pressuposto de que é possível intervir de maneira que as pessoas se abstenham de usar drogas. Termina sendo o último objetivo da política. A resolução prevê a redução de danos também. Porém, é um dos instrumentos, dos diversos instrumentos necessários para promover como objetivo final a abstinência.

Falando de prevenção. Como é uma política de prevenção para redução de danos e como é para a abstinência? Qual é a diferença?

Secretário Humberto Viana – De uma forma geral, a redução de danos não se preocupa tanto com a prevenção. Ela parte do pressuposto de que as pessoas vão usar drogas e a política vai tentar reduzir os danos em uma utilização natural de drogas por parte da sociedade. Já a abstinência vai buscar impedir o uso de drogas. Parte-se do pressuposto de que é possível prevenir, tratar e reprimir o uso, a fabricação e o tráfico de drogas. No modelo da redução de danos não adianta tanto o estado intervir, cabe ao estado reduzir os danos por uma utilização de drogas que inevitavelmente vai ser disseminada na sociedade.

Você pode exemplificar como seria isso na pratica?

Secretário Humberto Viana – Antigamente, tinham cartilhas nos programas de prevenção que indicavam, por exemplo, doses de álcool cujo consumo seria seguro por parte dos adolescentes. Ou seja, você partia do pressuposto de que os jovens já usam álcool e não tem alternativa. Tem linhas de redução de danos que defendem que se a pessoa for usar cocaína, utilize de alguma forma que seja mais segura. Se a pessoa for utilizar ecstasy, que ela consuma bastante água para evitar a hipertermia e assim por diante.

Em uma análise comparada em termos internacionais, que país usa majoritariamente uma linha ou outra? Hoje, nos Estados Unidos, em vários estados, não é mais crime consumir maconha para fins recreativos e, diante disso, diz-se que a tendência internacional é pela liberação da maconha para fins recreativos. O Brasil, ao adotar esta nova diretriz, está indo contra essa tendência. Isso é verdade ou é um mito?

Secretário Humberto Viana – Eu arriscaria que é um mito. Qual é a forma que deu certo? Você tem aí os países mais referenciados. Primeiro é Portugal, país de maior referência para estudar a legalização do uso de drogas. Aí você tem a Suécia… eles começaram com a redução de danos, não deu certo. Depois colocaram uma política de linha dura, a abstinência. Hoje, houve uma redução considerável no consumo. Então, não tem uma fórmula definida. Nenhum país faz uma política apenas com ampla ênfase em redução de danos para todas as drogas. É recomendável que se faça composição entre políticas de redução de danos, políticas de redução de oferta e políticas de redução de demanda. É necessário o equilíbrio entre essas ações para você ter uma política de drogas efetiva de alguma forma. O problema da política anterior é que ela dava ênfase excessiva à redução de danos.

Nas campanhas sobre drogas durante a prevalência da redução de danos, o governo também dizia que não era legal usar drogas…

Secretário Humberto Viana – Na prática, a ênfase excessiva na redução de danos mascarava um movimento pró-legalização das drogas. O ministro Osmar Terra fala e eu concordo. Tem documentos, tem cartilhas feitas pelo governo brasileiro que propõe argumentos pró uso de drogas, inclusive. A gente tem uma cartilha que tem os prós e os contras do uso da maconha, por exemplo.

Hoje, temos usuários e traficantes encarcerados. Como vai ficar?

Secretário Humberto Viana – Esse é um assunto que já passou aqui em reuniões de trabalho e que houve o entendimento tanto da área jurídica, quanto da própria secretaria de que competirá ao Congresso Nacional identificar de forma clara –  por exemplo em termos de dosimetria – o que é tráfico e o que é consumo. Então, nesse ponto, não temos, hoje, uma posição, porque não é nossa competência. Não legislamos sobre isso. Entendemos que não se deve isolar nenhuma tentativa de diminuir o consumo, nem por meio da redução de danos, nem da abstinência. No Congresso, tem parlamentares que defendem a redução de danos e outros que defende a abstinência. Você vai encontrar quem defende os dois. A melhor política é não isolar qualquer uma delas.

O que dizer sobre a relação entre drogas e violência? Proibi-la não seria também incitar a violência do tráfico?

Secretário Humberto Viana – São vários ensaios. Têm realmente dados que comprovam que quando houve repressão aumentaram os índices de violência e criminalidade. E tem dados que mostram o contrário, que reprimiu e diminuiu. Para um país como o Brasil, que é um país continental, não podemos chegar e dizer que a melhor forma é essa ou aquela. Essas experiências não existem só aqui no Brasil, existem em todos os lugares do mundo. No Uruguai, que trouxe o modelo de uso para fins recreativos, o que está acontecendo? O índice de homicídios caiu num primeiro momento e depois voltou a crescer. Isso na verdade é muito difícil de categorizar. O governo opta por uma linha de endurecimento. Flexibilizamos e ensaiamos tudo o que podia, mas não deu certo porque temos uma proliferação da dependência de drogas no país.

Voltando ao tema da violência, que cruzamentos temos quanto ao uso de drogas e as estatísticas de violência nas cidades?

Secretário Humberto Viana – Você tem estudos bem interessantes que mostram a correlação de uso de crack e taxas de homicídio. Nova York, por exemplo, na década de 80, chegou a taxas de homicídios altíssimas quando houve o aumento do uso de crack naquela cidade. Todo o esforço que foi feito por parte da prefeitura no sentindo de enfrentar o tráfico, terminou reduzindo as taxas de homicídio. No Brasil, de certa forma, quando a gente olha segurança pública, nas cidades onde o crack tem entrado, as taxas de homicídio também aumentaram. O crack quando chegou no Brasil se instalou primeiro em São Paulo e houve aumento das taxas de homicídio – cerca de 30 homicídios a cada 100 mil habitantes na década de 90. Quando o crack começou a ir para outras cidades do Nordeste e do Sudeste, os órgãos de segurança observaram um aumento drástico nas taxas de homicídio do país de maneira similar aos estudos que foram feitos nos Estados Unidos.

Os EUA estão fazendo…

A Califórnia abriu o maior mercado do mundo de maconha. Eles vão ter uma arrecadação de aproximadamente U$ 1 bilhão por ano. Então, se for analisar por aí, trata-se de um grande negócio. Quem é hoje o grande investidor desse grande negócio?

Mas o canabidiol tem ou não tem efeitos medicinais?

Secretário Humberto Viana – O canabidiol é uma entre 113 outras substâncias encontradas na maconha. Ele, especificamente, não causa alterações na consciência, o que causa são outras substâncias encontradas na maconha. Então, respondendo a sua pergunta, sim, o canabidiol tem efeito terapêutico como anticonvulsivante. Lembro que eu ouvi uma vez do ministro Osmar Terra que existe uma substância chamada bradicinina, que é o princípio ativo de vários remédios para pressão alta. Essa substância é retirada do veneno da jararaca. Mas não é por isso que se vai beber uma colher do veneno, assim como não é necessário fumar maconha para fazer uso do canabidiol.

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Fonte: Justica.gov.br

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USP Talks #9: Maconha, canabinoides e sociedade | Ronaldo Laranjeira

A regulamentação do uso terapêutico da maconha e dos seus derivados — os chamados canabinoides — é um dos temas mais polêmicos da atualidade. Evidências sugerem que substâncias presentes na planta podem aliviar os sintomas de diversas doenças, como câncer, epilepsia, esclerose múltipla e uma série de transtornos psiquiátricos.

Ronaldo Laranjeira assume uma postura mais crítica sobre a legalização da maconha no Brasil.

 

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Saiba por que dizer não a legalização de drogas no Brasil!

 

 

Falamos com você que está sofrendo com problemas de dependência química na sua família. O Amor Exigente é uma Instituição sem fins lucrativos que trabalha com grupos de auto e mútua ajuda que se reúnem uma vez por semana, durante 2 horas. O Programa Amor-Exigente está espalhado por todo Brasil e América Latina e você pode participar de tudo sem nenhum custo. Hoje vamos falar sobre a legalização de drogas no Brasil! Como de costume, recebo com muita alegria… – Mara Silvia Carvalho de Menezes – Presidente do Conselho Deliberativo da Federação Amor Exigente E – Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira – Psiquiatra – Atualmente é professor titular do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP – Diretor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas – Coordena a Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas – Tem grande experiência na área de tratamento da dependência química e coordena uma série de cursos de especialização nessa área, com mais de 1.000 alunos do Brasil inteiro formados. – Tem mais de 180 artigos científicos publicados. Nossa equipe foi nas ruas perguntar a opinião das pessoas. Vamos ver se elas são à favor ou contra a legalização.

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A Justiça Terapêutica pede espaço no Brasil

Fonte:Revista Veja – Blog Letra do Médico

A Justiça Terapêutica, que busca dar atendimento adequado a presos com doenças mentais ou dependência química dentro do sistema carcerário, ainda é rara

Por Ronaldo Laranjeira

Justiça (//iStock)

Recentemente, o país ficou chocado com as notícias de crimes sexuais que ocorreram em São Paulo. Um deles é o do ajudante geral Diego Ferreira de Novais, de 27 anos, preso após se masturbar e ejacular em uma mulher dentro de um ônibus na capital paulista. O criminoso foi solto no dia seguinte pela justiça, após a realização de uma audiência de custódia. Porém, Diego foi preso novamente dias depois e indiciado por estupro, acusado de esfregar o pênis no ombro de uma mulher e impedir sua fuga. O delegado responsável pelo caso requisitou a instauração de incidente de insanidade mental e afirmou em entrevistas que Diego representa um risco para a sociedade.

Neste caso, estamos falando de um homem com 17 passagens pela polícia, incluindo quatro prisões por estupro e outras 13 por importunação ofensiva ao pudor e ato obsceno, fato que nos obriga a refletir sobre o seguinte assunto: a justiça brasileira lida da melhor forma possível com este tipo de criminoso? Lembremos que Diego foi liberado após cometer o primeiro ato citado acima, mesmo com diversas passagens pela polícia por motivos similares.

O exemplo americano

Sem eximir de forma alguma o criminoso ou minimizar a gravidade de seu ato, do ponto de vista de saúde é preciso paralelamente avaliar também o que está por trás de seu comportamento. Será que esse infrator realmente apresenta algum tipo de doença mental, como acredita a polícia? Se sim, como proceder? Este é um tema polêmico, sem sombra de dúvidas. Para lidar com esse tipo de ocorrência, diversos países, como os Estados Unidos, já adotaram as Mental Health Courts e Drug Courts, algo como Tribunais de Saúde Mental e Tribunais de Drogas.

Nos casos encaminhados aos Tribunais de Saúde Mental, são realizadas avaliações médicas para a definição da pena e, caso seja necessário, de um plano de tratamento e monitoramento judicial dos criminosos. Uma medida que prioriza a segurança da sociedade, ao mesmo tempo em que avalia a saúde mental dos infratores, procurando tratar também problemas que contribuam para a ocorrência da conduta criminal.

Os Tribunais de Drogas têm objetivo similar. Também contando com avaliações de profissionais de saúde, eles oferecem a possibilidade de uma sentença combinada com tratamento para infratores usuários de drogas, com possíveis transtornos mentais.

Estes projetos são exemplos claros de como a justiça pode agir para evitar o simples encarceramento de portadores de doenças mentais ou dependentes químicos e tornar a sociedade mais segura em um futuro próximo, ajudando os transgressores em sua reabilitação e ressocialização, ao tentar identificar e tratar possíveis causas de comportamentos criminosos. Para isso, a união entre os sistemas de saúde e judiciário é fundamental.

Como funciona no Brasil

No Brasil, possuímos uma medida similar, conhecida como Justiça Terapêutica, aplicada, principalmente, para infratores com dependência química. Após uma criteriosa seleção de casos, a iniciativa prevê a inclusão destes em programas de tratamento, determinados após audiências individuais com os usuários, que são monitorados e têm sua reabilitação acompanhada pela justiça. Tal medida é viabilizada pela lei dos Juizados Especiais Criminais, que possibilita acordos propostos por promotores de justiça.

O que projetos como esses promovem é o devido destino aos infratores portadores de doenças mentais ou dependência química dentro do sistema de justiça criminal, com tratamento e serviços de recuperação adequados, ao mesmo tempo em que busca garantir a segurança da população de forma mais resolutiva e duradoura.

Desafios

O problema é que, apesar de ser prevista por lei, tal ação ainda é rara em nosso país. O parágrafo 7 do artigo 28 da lei federal 10.216, de 2001, prevê que “o juiz determinará ao Poder Público que coloque à disposição do infrator, gratuitamente, estabelecimento de saúde, preferencialmente ambulatorial, para tratamento especializado”. Porém, quantos encaminhamentos do tipo realmente acontecem na prática? Este é o x da questão, no caso do Brasil.

Pela perspectiva da saúde, apenas prender este tipo de criminoso não soluciona o problema, já que ao sair da prisão, a chance de voltar a cometer o mesmo tipo de crime é enorme. Já uma pena que, além das sanções previstas por lei, também preveja tratamento, reabilitação do cidadão e permita assim sua reinserção na sociedade se mostra uma solução muito mais eficaz, inclusive a longo prazo.

O caso de Diego Novais aparenta ser mais um, dentre tantos outros, que poderia ter um final diferente: com o tratamento e ao menos a chance de reabilitação de um infrator acometido por uma doença mental, e uma sociedade mais segura, protegida por suas instituições públicas.

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O futuro da Política Nacional sobre Drogas nas mãos do Senado

Injection syringe on cocaine drug powder lines, pile and pills on black background (//iStock) Injection syringe on cocaine drug powder lines, pile and pills on black background (//iStock)

Está nas mãos do Senado brasileiro os próximos anos da política brasileira de enfrentamento, prevenção e tratamento contra o consumo de drogas

Este ano será para a população brasileira, que há anos vive tempos conturbados, com denúncias de corrupção, escalada da violência, enfim… Com eleições à frente e também projetos de suma importância tramitando no Congresso, 2018 pode ser um ano marcado por grandes progressos ou retrocessos.

Um enorme avanço pode ser obtido com o Projeto de Lei Complementar (PLC) 37, de autoria do Deputado Federal e Ministro do Desenvolvimento Social Osmar Terra (MDB). O PLC 37 representa uma proposta para uma nova Política Nacional sobre Drogas em nosso país, que, dentre outros pontos, busca promover seu alinhamento com a nova Política Nacional de Saúde Mental, oferecer programas de prevenção e de tratamento baseados em evidências, além de ampliar as abordagens terapêuticas, hoje focadas na prática de redução de danos, fazendo com que o poder público possa ampliar a oferta de cuidados adequados às necessidades de cada paciente.

O projeto também aprimora a definição dos papéis das esferas municipal, estadual e federal em relação às medidas de prevenção e tratamento, assim como a distinção entre traficantes (que terão penas mais severas) e usuários, sendo que para os últimos continua a ser aplicada a lei brasileira 11.343/06, que despenaliza o usuário e evita que ele seja preso por portar drogas para consumo próprio.

Estamos falando de avanços significativos em relação à legislação anterior, que ainda não foram colocados em prática devido à morosidade do nosso processo legislativo. Aprovado pela Câmara dos Deputados em 2013, o PLC 37 foi encaminhado ao Senado, onde já foi analisado, discutido e aprovado em diversas comissões, dentre elas a de Constituição, Justiça e Cidadania.

A última ação legislativa agora depende do Presidente do Senado – Eunício de Oliveira (MDB), que deve colocá-lo em votação.
Ou seja, está nas mãos do Senado brasileiro os próximos anos da política brasileira de enfrentamento, prevenção e tratamento contra o consumo de drogas. Porém, todo o trabalho dedicado a este projeto de lei, assim como as medidas que prevê, podem simplesmente ir por água abaixo muito em breve.

O julgamento no STF

Encontra-se suspensa no Supremo Tribunal Federal (STF) a votação do julgamento sobre a descriminalização da posse de drogas para uso recreativo (como mencionado anteriormente em minha coluna no Blog Letra de Médico). Em 2015, o ministro Gilmar Mendes votou a favor da descriminalização de todas as drogas, Luis Roberto Barroso e Edson Fachin votaram pela descriminalização apenas da maconha, sendo que o ministro Barroso sugeriu a fixação de um limite de 25 gramas para a posse da droga.

Porém, o então ministro Teori Zavascki realizou um pedido de vista do processo, que resultou na suspensão do julgamento. O ministro Alexandre de Moraes, que ocupou a vaga de Teori, falecido em um desastre aéreo em 2017, herdou o caso, que só pode continuar a ser debatido após sua avaliação.

Com esse contexto em mente, temos a seguinte situação: se o Senado permanecer inerte, corremos o risco de o STF, que não deveria fazer leis, desenhar um novo panorama na política de drogas brasileira com sua decisão. Não podermos esquecer que já são três votos favoráveis à legalização ao menos da maconha no Supremo Tribunal Federal, panorama oposto à vontade da maior parcela da população, contrária à descriminalização, conforme demonstrado durante anos em várias pesquisas pelo país.
Você pode acompanhar aqui o andamento do PLC 37.

É importante que a população brasileira exerça seus direitos e cobre uma posição sobre o assunto dos representantes que elegeu para o Congresso, para que esse projeto, que decide o futuro de uma política tão importante para todos nós, seja colocado em votação o quanto antes.

Fonte: Veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico

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Aconselhamento em Dependência Química – Virtual

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Clique aqui para se Inscrever

Coordenação Geral:

Prof. Dr. Ronaldo Laranjeira, Phd, Médico psiquiatra Titular do Departamento de Psiquiatria da UNIFESP.

 

Coordenação do curso:

Prof. Dr. Sérgio Marsiglia Duailibi, Médico, Doutor em Ciência pela Depto. De Psiquiatria | UNIFESP
Profa Dra Mária de Fátima Padin, Psicóloga, Doutora em Ciência pelo Depto. De Psiquiatria | UNIFESP

 

Público alvo:

Profissionais da área de saúde que tenham suas práticas relacionadas ao atendimento de usuários/dependentes de álcool, tabaco e outras drogas; conselheiros, estudantes de graduação da área da saúde; Agentes Comunitários de Saúde, etc., com curso superior ou ensino médio completo.

Objetivos do curso:

Capacitar o aluno para a realização de aconselhamento clínico individual e grupal para dependentes químicos e familiares.

Informar sobre: aspectos biológicos, sociais e psicológicos de cada droga psicotrópica, relacionados às diferentes linhas de tratamento das dependências químicas; noções básicas de prevenção; políticas públicas e organização de serviços.

 

Programação do curso:

Módulo I

Bases Teóricas relacionadas à dependência química e consumo nocivo de álcool, tabaco e demais substancias psicoativas:

  • Conceitos Gerais;
  • Sistemas de Diagnósticos: uso, abuso, dependência;
  • Epidemiologia;
  • Efeitos dos usos crônico e agudo;
  • Comorbidades (doenças que podem estar associadas à dependência química).

Módulo II

Bases Teóricas relacionadas à Clínica / Tratamento da Dependência Química:

  • Como organizar uma história clínica;
  • Modelo de Caso Clínico;
  • Intervenção Breve;
  • Entrevista Motivacional;
  • Terapia cognitiva comportamental;
  • Prevenção de Recaída;
  • Grupos de autoajuda;
  • Orientação Familiar;
  • Cuidando de quem cuida;
  • Gerenciamento de Caso;
  • Reabilitação Cognitiva;
  • Avaliação Neuropsicológica.

Modulo III

  • Políticas Públicas;
  • Prevenção ao Uso de Drogas;
  • Comunidade Terapêutica;
  • Outros ambientes de tratamento da Dependência Química;
  • A dependência química em populações específicas;
  • Avaliação final.

 

Sistema de avaliação

Participação e questionários no ambiente virtual para verificação do aprendizado.

Datas:

Inscrições: 16/01/2018 à 25/03/2018
Matrículas: 26/03/2018 à 29/03/2018
Período: 02/04/2018 a 06/08/2018

 

Formas de Pagamento e Investimento

Cartão de Crédito em 6x sem juros

Boleto Bancário (à Vista)

Valor do curso: R$ 820,00

 

Acesse o link:

https://www.spdm.org.br/educacao/aconselhamento-em-dependencia-quimica-virtual/

Carga Horária:

Total da carga horária: 136 horas

4 (quatro) meses de aula, sendo:

17 semanas de encontros no ambiente virtual com tutorial e tutora para auxiliar, material didático, questionário para avaliação do conhecimento dos alunos e fóruns para discussão, participação e para tirar quaisquer dúvidas sobre os assuntos da semana.

Aulas virtuais, a partir da Plataforma Moodle UNIAD

Documentação:

  • RG
  • CPF
  • Comprovante de Residência
  • Currículo
  • Histórico do Ensino Médio

Maiores Informações:

Tel.(11) 5084-3001
E-mail: cursos@uniad.org.br

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